MEDICINA NUCLEAR E A UROLOGIA

MEDICINA NUCLEAR E A UROLOGIA
10 de abril de 2018 UrologiaVida

Por Dra Irene Shimura Endo, médica nuclear da UDDO – Diagnósticos Médicos e responsável pelo Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Samaritano de São Paulo

 

 

 

A Medicina Nuclear é a especialidade médica que se baseia na administração de elementos radioativos ao paciente, com finalidade diagnóstica e terapêutica.

O Tecnécio-99m é o elemento radioativo mais empregado, sendo muitas vezes incorporado ou ligado a outras moléculas, que têm afinidade por diferentes órgão

 

s. As características físicas do Tecnécio-99m permitem a obtenção de imagens com baixa dose de radiação para o paciente, devido ao seu rápido decaimento.

A dose de radiação envolvida nos estudos diagnósticos é bastante reduzida e não traz maiores preocupações, exceto em situações como gravidez ou amamentação, em que a administração de elementos radioativos pode ser contraindicada.

A distribuição do radiofármaco no corpo do paciente é avaliada por imagens feitas em um equipamento de detecção de radiação chamado Câmara de Cintilação (ou Gama-câmara), motivo pelo qual as imagens são chamadas de Cintilografia e a concentração de radiofármaco observada em um órgão, depende não apenas de sua morfologia, mas principalmente da sua função. 

Na sequência, citaremos os principais exames aplicáveis em Urologia:

Cintilografia Renal Dinâmica – DTPA (Renograma)

Principais indicações:

•          Avaliação da função renal nos casos de litíase, neoplasias, duplicidade ureteropélvica, defeitos congênitos, compressão vascular, alterações inflamatórias, obstruções;

•          Doenças inflamatórias-infecciosas: ITUS, Pielonefrite, glomerulonefrite, abcesso renal, necrose tubular aguda;

•          Trauma : Hematoma, contusão, lesão ureteral, nefrite actínica;

•          Desordens vasculares: Hipertensão renovascular, embolia da artéria renal, estenose da artéria renal, trombose da veia renal, infarto renal, necrose cortical;

•          Avaliação de transplante renal: Rejeição aguda e crônica, necrose tubular aguda, oclusão da artéria ou veia renal, obstrução ureteral.

Preparo: O paciente deve ingerir líquidos antes do exame (2 a 3 copos de água).

 

Contra-indicações: O estudo não deve ser realizado em mulheres grávidas e as que estão amamentando devem conversar pessoalmente com o médico do serviço antes de marcar o exame.

Como é feito: O paciente é posicionado no equipamento e recebe a injeção intravenosa do radiofármaco (DTPA marcado com Tecnécio-99m). Esse material é concentrado e eliminado pelos rins, permitindo uma estimativa da função renal e análise das vias de eliminação. As imagens são realizadas continuamente por 30 a 40 minutos após a injeção. Durante esse período, o paciente fica deitado e não deve se movimentar.

Frequentemente uma injeção de diurético é aplicada para melhor avaliação da eliminação do material (entre 15 e 20 minutos do estudo). O estudo também pode ser realizado associado ao Teste do Captopril, para avaliação de hipertensão renovascular. O preparo inclui a suspensão de medicamentos (confirmada com o médico solicitante) e geralmente deve ser comparado a um estudo basal (sem Captopril).

 Fig 1: Cintilografia renal dinâmica (DTPA) de um paciente normal 

Fig 1: Cintilografia renal dinâmica (DTPA) de um paciente normal

 

Fig 2: Cintilografia renal dinâmica (DTPA) mostrando padrão obstrutivo no rim esquerdo

 

Fig 2: Cintilografia renal dinâmica (DTPA) mostrando padrão obstrutivo no rim esquerdo

 

Cintilografia Renal Estática (DMSA)

Principais indicações:

•          Anomalias congênitas: Agenesia, duplicação da pelve ou ureter, rins supranumerários, ptose, ectopia, fusão (rim em “ferradura”)

•          Lesões ocupando espaço: Cisto renal, rim multicístico/policístico, tumores (adenocarcinomas, hipernefromas, Tumor de Wilms, angiomiolipomas)

•          Doenças inflamatórias: Pielonefrites

     Preparo: Não é necessário

Contra-indicações: O estudo não deve ser realizado em mulheres grávidas e as que estão amamentando devem conversar pessoalmente com o médico do serviço antes de marcar o exame.    

Como é feito: O paciente recebe uma injeção do radiofármaco (DMSA marcado com Tecnécio-99m) e realiza imagens 4 a 6 horas após essa injeção. Esse intervalo é necess

 

ário para que o material se concentre nos rins, permitindo a avaliação de sua morfologia e função. Durante a aquisição das imagens (aproximadamente 20 minutos) o paciente fica deitado e não deve se movimentar.

Fig.3: Cintilografia renal estática (DMSA) de um paciente normal

Fig.3: Cintilografia renal estática (DMSA) de um paciente normal

 

Fig. 4: Cintilografia renal estática (DMSA) de paciente com cicatriz renal e déficit de função tubular no rim esquerdo

Fig. 4: Cintilografia renal estática (DMSA) de paciente com cicatriz renal e déficit de função tubular no rim esquerdo

 

 Fig 5: Cintilografia renal estática (DMSA) de paciente com rim em ferradura   

Fig 5: Cintilografia renal estática (DMSA) de paciente com rim em ferradura

 

Cistocintilografia

Principais indicações: diagnóstico e seguimento de refluxo vesicoureteral.

Preparo: Não é necessário

Contra-indicações: O estudo não deve ser realizado em mulheres grávidas e as que estão amamentando devem conversar pessoalmente com o médico do serviço antes de marcar o exame.    

Como é feito: A cistocintilografia pode ser direta ou indireta.

•          Cisto direta: é necessário a sondagem vesical e que o paciente esvazie a bexiga antes do estudo. São adquiridas imagens dinâmicas do enchimento 

 

e esvaziamento vesical.

•          Cisto indireta: É necessário o paciente beber 3 copos de água, esvaziar a bexiga antes da injeção e urinar durante o exame. Feita sempre em conjunto com a cintilografia renal, com aquisição de imagens dinâmicas do enchimento e esvaziamento vesical.

 Fig 6: Cistocintilografia direita mostrando refluxo vésico-ureteral para o rim direito

Fig 6: Cistocintilografia direita mostrando refluxo vésico-ureteral para o rim direito

Cintilografia Testicular

 

Principais indicações: dor testicular (diferencial entre torção x inflamação) e avaliação de varicocele (pode ser associada a infertilidade).

Preparo: Não é necessário

Como é feito: As imagens são adquiridas imediatamente após a injeção do radiofármaco (Pertecnetato marcado com Tecnécio-99m) com o paciente deitado em decúbito dorsal e na suspeita de varicocele, com o paciente em pé.

 

*Dra Irene Shimura Endo – CRM 72613

Médica nuclear da UDDO – Diagnósticos Médicos e responsável pelo Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Samaritano de São Paulo

Contato: (11) 3661-3485 / 3254-6800

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